VIZINHO (IN)DESEJADO

28 10 2009

por Thiago Gusmão

Não é de hoje que nossos polêmicos vizinhos vêm causando dores de cabeça ao presidente Lula e ao povo brasileiro. Há quem acredite que Hugo Chávez, presidente da Venezuela, é realmente o novo libertador das Américas, já outros pensam que ele não passa de um grande falastrão. O mesmo acontece com Álvaro Uribe, líder colombiano, que, na opinião de muitos, é a esperança de sua população na luta contra o tráfico de drogas, mas também é taxado de fantoche e aliado do imperialismo.

Quem lê esse primeiro parágrafo já imagina que o blogueiro não se lembrou de colocar o título no plural. Não, na verdade o vizinho em questão não fala espanhol. O objeto deste texto são as bases militares americanas na Colômbia que tanto irritaram Chávez e seus aliados.

Os que defendem o pensamento “chavista” dizem que a presença dos Estados Unidos dentro dUribe (esq.) e Chávez (créditos: g1.globo.com)a América do Sul é um risco para todas as nações, pois, o que pode parecer uma tentativa de ajuda, se trata da busca por novos recursos e ainda mais influência. Em contrapartida, partidários do presidente colombiano crêem que esse medo não passa de um exagero e que os americanos são grandes aliados contra as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, grupo que comanda o tráfico de drogas na região e desafia a autoridade dos Estados).

O presidente Lula, no início do problema, deu total razão a seu “companheiro” Chávez, afirmando que a instalação das bases era um erro. No entanto, na última semana o discurso mudou e ele passou a dizer que não havia necessidade de tanta polêmica, visto que a vinda dos americanos seria benéfica para o continente. Especula-se que essa mudança súbita de pensamento veio como uma resposta à posição do presidente venezuelano no caso Zelaya (em Honduras, que já foi tema deste blog há algumas semanas), que teria desagrado o governo brasileiro.

É difícil saber o desfecho deste impasse, mas é certo que as partes nunca chegarão a um acordo. Se a presença americana vai ser muito eficiente, não é possível afirmar – até porque este blogueiro não acredita em milagres nem em coelho da páscoa. Cabe ao nosso presidente, tomar uma posição firme e defender o que realmente acredita ser melhor para o Brasil.





O AGRAVAMENTO DA CRISE NO ORIENTE MÉDIO

23 10 2009

por Thiago Gusmão

No último domingo, um homem detonou uma bomba amarrada a seu corpo e matou 42 pessoas no sudeste do Irã, sendo quinze integrantes da Guarda Revolucionária do país – força de elite leal ao líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Um grupo terrorista, o Jundollah (soldados de Deus) assumiu a responsabilidade pelos ataques. Entretanto, o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad acusa o Paquistão, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha de se envolverem e apoiarem o ataque – o maior no país do Oriente Médio desde a guerra contra o Iraque nos anos 80 – para tentar causar uma instabilidade na região.

Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã (créditos: g1.globo.com).

Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã (créditos: g1.globo.com).

É claro que os governos de Washington, Londres e mesmo Islamabad (capital do Paquistão) negam qualquer relação com os atentados, mas mesmo assim autoridades iranianas ameaçam responder à altura.

Já faz algum tempo que o Irã vem tendo fortes divergências com as potências ocidentais – principalmente com os EUA -, seja pela questão das armas nucleares ou por causa dos conflitos iniciados pelo presidente Bush depois dos atentados de 11 de Setembro. Quem lê as informações acima pode pensar: “Poxa, olha só os americanos se metendo em mais uma guerra. Mas e eu com isso?”.

A questão fundamental é que qualquer confronto entre os americanos e os iranianos traria grande impacto para o mundo todo. Apesar de haver certeza da grande superioridade do exército dos Estados Unidos, não se sabe ao certo do que o Irã é capaz. Não devemos esquecer que o país islâmico possui armas nucleares – e considerando que seu presidente não é dos indivíduos mais confiáveis do planeta, não vale a pena pagar para ver –, uma das maiores reservas de petróleo da Terra (a quinta, para ser mais preciso) e uma população, em sua maioria, totalmente de acordo com as idéias de seus líderes.

É claro, pelo menos na opinião deste blogueiro, que essa é apenas mais uma disputa política e diplomática entre esses países. O problema é saber até quando essa crise vai continuar no campo das palavras – e esperamos que não saia dele. Enquanto isso, observamos de longe e atentos, preocupados com as atitudes de uns e outros. É assim que percebemos que não são apenas os nossos políticos os irresponsáveis nesse mundo.





O IDH NOSSO DE CADA DIA

6 10 2009

por Thiago Gusmão

Saíram, nessa semana, os novos dados do IDH – Índice de Desenvolvimento Humano – de todos os 182 países monitorados pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Da mesma forma, foi divulgado o novo ranking comparativo do desenvolvimento humano. Os dados se referem, como sempre, a dois anos antes – no caso, 2007.

Para quem desconhece, o IDH serve para medir – ou tentar, pelo menos – o desenvolvimento dos países a partir de três aspectos considerados fundamentais: saúde (expectativa de vida ao nascer), educação (taxa bruta de matrícula e proporção de adultos analfabetos) e PIB per capita. É a forma considerada mais “justa” de avaliar as reais condições de cada nação.

O Brasil apresentou novo crescimento em seu IDH, que chegou a 0,813 (antes era 0,808, numa escala que vai de o a 1). Entretanto, nossa posição no ranking continua a mesma – 75ª -, ou seja, ainda estamos atrás de países como Argentina, Chile, Cuba e Venezuela e longe de Noruega (0,971) e Austrália (0,970), para citar exemplos.

g1.globo.com

g1.globo.com

O que parece uma montanha de números que não dizem nada, na verdade é extremamente significativo. Se notarmos que, nos últimos 27 anos, o IDH do Brasil cresceu 0,128 pontos e está entre os que apresentam maior evolução, perceberemos facilmente os motivos para tal fenômeno. O grande crescimento econômico do país (principalmente na última década) e a queda de quase dez pontos percentuais na taxa de analfabetismo parecem ser grandes responsáveis.

Apesar da melhora, ainda não temos grandes motivos para comemorar. Vale lembrar que o Brasil ainda é um dos países que apresenta maior desigualdade no mundo – o que, para muitos, é o nosso problema mais grave. Além disso, não basta termos crianças matriculadas na escola, se nosso ensino ainda é extremamente defasado e não as prepara para a vida profissional (nem para a pessoal, na verdade).

Portanto, o IDH, mais do que dados, representa o dia-a-dia de cada brasileiro. Não precisamos esperar para ver uma vez por ano nossos novos números, é só prestarmos atenção nas questões mais simples do cotidiano – desde a renda das pessoas até a qualidade da educação – para constatarmos que ainda há muito, mas muito mesmo, o que melhorar.

E você, o que pensa? Não acha que, além dos números, a qualidade dos serviços oferecidos deveria ser melhorada? Opine e debata conosco.





O CASO ZELAYA

28 09 2009

por Thiago Gusmão

Quando, em 28 de junho, um golpe militar tirou o presidente de Honduras Manuel Zelaya – que tentava aprovar sua candidatura para mais um mandato através de um referendo – do poder, ninguém imaginava que o Brasil pudesse ter alguma relação com esse assunto.

Depois de duas tentativas frustradas de voltar ao país, o presidente hondurenho deposto conseguiu chegar de forma clandestina à capital Tegucigalpa no último dia 21. A partir desta data nós, brasileiros, começamos a nos interessar de verdade pelo assunto, já que foi em embaixada que Zelaya refugiou-se.

Como reação aos acontecimentos, as forças do governo golpista de Roberto Micheletti cercaram a embaixada brasileira e, por alguns momentos – segundo seguidores do presidente Zelaya -, cortaram luz e telefone do prédio. Começam aí os problemas diplomáticos que envolvem o Brasil.

Uma embaixada, além de ser uma representação de um país dentro de outro, é também um território. Por exemplo: a embaixada brasileira em Washington (EUA) é um território do Brasil, que não pode ser violado nem mesmo pelos americanos. Qualquer invasão seria como se uma cidade brasileira estivesse sendo atacada.

oglobo.globo.com
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É óbvio que Manuel Zelaya sabe disso e, por esse motivo, escolheu uma embaixada (qualquer uma serviria, visto que a maioria dos países o apóia) para ficar. Mas as perguntas em questão são: por que Brasil? E como nosso governo deve agir?

Tanto o hondurenho quanto nossos diplomatas afirmam que não havia nenhuma combinação entre eles. Zelaya disse que escolheu o Brasil por causa da influência e por sua amizade com Lula. Sinceramente, é difícil de acreditar. Não há nenhum problema no fato de o Brasil ajudar um presidente legítimo de um país a tentar voltar ao poder, muito pelo contrário. Essas “desculpas” aparecem mais por motivos políticos e burocráticos, para evitar que pareça um plano brasileiro para Honduras.

Nosso país tem pessoas competentes e experientes no comando da situação, portanto, atitudes impensadas e impulsivas não devem acontecer. Não seria nada vantajoso para o Brasil entrar em conflito com os golpistas, mas também não podemos admitir que uma de nossas embaixadas seja violada. Com certeza, apoio não faltará em caso de medidas mais enérgicas, mas o melhor mesmo é que os problemas sejam solucionados por meio das negociações.

Agora é com você. O que acha do caso? Como o governo brasileiro deveria proceder? Comente e debata conosco.





BINGO!

21 09 2009

por Thiago Gusmão

Pois é, parece que eles estão voltando. Para a alegria dos amantes do jogo das cartelas e dos feijõezinhos, os Deputados aprovaram a proposta que legaliza os bingos mais uma vez.

A idéia não é fazer com que tudo volte a ser como era antes da proibição. Dessa vez, a intenção é criar formas de fiscalização mais rígidas. Além de deverem estar a, pelo menos, 500 metros de distância de escolas e templos religiosos, os donos das casas deverão pagar impostos sobre todas as operações efetuadas e ainda serão obrigados a reservar espaços para os fiscais. A maior diferença, porém, é que a averiguação ficará a cargo da Receita Federal.

Contra a regularização existem vários argumentos – os mesmos usados na época do fechamento, por sinal. Muitos alegam que um “jogo de azar” é um risco para crianças e deve ficar longe dos locais sagrados, para isso a distância em relação às escolas e templos (convenhamos, é apenas uma forma de não desagradar por completo uma parte da população, visto que 500 metros não são impossíveis de ser percorridos andando). Outros dizem que o jogo pode causar dependência e que, por isso, o governo deveria proibi-lo – ora, se pensarmos assim, o álcool deveria ser proibido também.

g1.globo.com

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A última alegação é também a mais importante e relevante. Foi provado que por trás dos bingos havia muita lavagem de dinheiro e que muitos estavam ligados ao tráfico. Pensando friamente, o fechamento não impede ninguém de sustentar traficantes, basta mudar de “ramo”. Combater todo esse problema é, com certeza, função do governo, mas parece que ainda não foi feito da maneira mais eficaz.

Ainda não há nada definido, já que o projeto ainda precisa passar pelo Senado, mas as expectativas agora são boas. Estima-se que, caso funcione como o previsto, os bingos gerem sete bilhões de reais por ano ao governo e cerca de 480 mil empregos (entre diretos e indiretos).

E vocês, o que pensam sobre os bingos? Devem ficar fechados ou ser reabertos? Comente à vontade.





UM ANO DE LEI SECA

15 09 2009

por Thiago Gusmão

A pouco mais de um ano os debates nos bares, nos escritórios e nas rodas de amigos giravam em torno da Lei Seca, que entrou em vigor em Junho do ano passado. Na época, a questão era saber se surtiria o efeito esperado e se não seria um exagero por parte dos legisladores, bem como se teria uma fiscalização adequada.

Fernando Quevedo (Agência O Globo, 06/06/2009)

extra.globo.com

Se analisarmos as estatísticas, veremos que, de fato, o número de acidentes diminuiu na maioria dos estados (é claro que varia de uma localidade para a outra de acordo com o rigor das autoridades). Pensando apenas nisso, qualquer um se daria por vencido diante do sucesso da Lei, entretanto, como mostrou a reportagem do Fantástico da Rede Globo no domingo, é preciso observar alguns outros fatos.

Nossa legislação diz que nenhum cidadão pode ser obrigado a fornecer provas contra ele mesmo, ou seja, aplicando-se a Lei Seca isso quer dizer que nenhum motorista precisa fazer o teste do bafômetro ou o exame de sangue se não quiser. Ao mesmo tempo, o código de trânsito considera que aqueles que não se submetem aos testes devem pagar uma multa de mais de novecentos reais e ainda ficar sem a carteira de motorista por um ano. Em resumo, tudo muito confuso – principalmente para os leigos -, praticamente uma bagunça jurídica!

Já está mais do que provado que álcool e trânsito não combinam. Não sei se afirmar que “foi só um golinho” é uma boa justificativa, porque, além de cada um ter uma interpretação para “golinho”, acaba abrindo precedentes para novos casos. Portanto, na minha humilde opinião, a Lei Seca é sim muito necessária. Não é apenas uma questão de segurança individual, mas de todos.

Com certeza essa Lei está aí para ajudar. Quem reclama dela é porque nunca deve ter sido prejudicado por algum indivíduo alcoolizado no volante. O que resta é chegar a um acordo quanto às punições e deixar o mais claro possível para a população, além de melhorar a fiscalização.

E vocês, o que pensam da Lei? Apoiavam desde o começo? Ainda acham um exagero? Debata conosco por meio dos comentários!





ALLEZ, BRÉSIL!

9 09 2009

por Thiago Gusmão

Nos últimos dias, estamos acompanhando as negociações do governo brasileiro para a compra de 36 aviões de guerra. As negociações estão adiantadas e levam a crer que os escolhidos serão os jatos “Rafale” da francesa Dassault Aviation – que disputa com a americana Boeing e com a sueca Saab a venda das aeronaves.

O presidente Nicolas Sarkozy esteve no Brasil no último final de semana e avançou as negociações com Lula. Estima-se que o contrato esteja em torno de cinco bilhões de euros para a compra dos caças, sendo que a França se comprometeria a comprar doze aviões de transporte fabricados pela Embraer – contrato avaliado em 500 milhões de euros. Além disso tudo, o Brasil compraria submarinos e adquiriria tecnologia bélica dos descendentes de Napoleão.

A justificativa de Lula para tal compra é que nós, brasileiros, precisamos defender o que é nosso (a Amazônia, o pré-sal…). Por um lado, ele tem toda a razão. Vemos por aí países armados até os dentes, com armas nucleares – e não estou falando apenas de potências como Estados Unidos, França e Reino Unido, mas também Paquistão, Índia e Coréia do Norte – e prontos para atacar ou serem atacados. Não sou sanguinário, nem faço apologia à guerra. O problema é que não podemos confiar na boa vontade dos demais. Como diz meu professor, é como seguro de carro: não fazemos para poder sair batendo, mas sim para nos prevenirmos contra possíveis irresponsáveis ou “barbeiros”.

france2009logomarca11

O que tem a gerar mais polêmicas, entretanto, não é fato do Brasil comprar ou não os armamentos, mas sim a forma como vai fazê-lo. A discussão é se negociar com os franceses é a melhor escolha. É preciso levar em consideração que, caso o acordo seja firmado, ficaremos fortemente ligados ao país de Sarkozy durante toda a vida útil dos aviões (de vinte a trinta anos). Outro ponto importante é que toda a orientação de nossas forças armadas, por exemplo, é feita pelo sistema GPS, que é americano. Com a compra dos jatos da França, seria necessário adaptar todos os outros aparelhos para que sejam orientados por satélites europeus, ou seja, gerando mais gastos.

Por outro lado, se aproximar da Europa pode trazer bons frutos. Culturalmente falando, prefiro que nosso país estreite laços com europeus do que com americanos. Não se trata de preconceito, mas creio que temos muito mais o que aprender com o Velho Mundo. Nossa história é prova de que o contato entre Brasil e França pode render bons valores acadêmicos e culturais (podemos citar as missões francesas na época da colonização ou ainda a criação da Universidade de São Paulo na década de trinta – que teve grande apoio de intelectuais franceses).

Não se trata de achar um país “mais legal” que o outro, ou ter raiva dos franceses por causa do Zidane… Cabe aos nossos governantes analisar com cuidado todos os prós e os contras para então decidir. Todavia, também temos as nossas responsabilidades: fiscalizar para ver se o que está sendo feito é o melhor para nós.

Agora nos resta esperar o desenrolar dos fatos nos próximos dias. Enquanto isso você pode nos ajudar dando sua opinião. Você concorda com essas compras que nosso presidente está pretendendo? Concorda com nossos possíveis parceiros? Sinta-se a vontade para debater.