REFÉNS DO RÁDIO

11 11 2009

por Zé Claudio Pimentel

Por volta das 22h15 de ontem, terça-feira, o Brasil ficava às escuras. As cidades param. Os organismos públicos deixam de funcionar. Televisão, rádio, internet e celulares são interrompidos. As pessoas, por mais desesperadora que a situação pareça ser, creem na solução rápida do problema que, até então, era encarado como algo rotineiro e pouco grave.

Os minutos se passavam e cada vez mais as informações eram desencontradas. Um celular recebe sinal e descobre-se que o interior de São Paulo também está sem luz. Momentos depois, Minas e Espírito Santo. Logo em seguida, as rádios voltam ao ar. A AM entra em cadeia nacional com a FM e passam a transmitir em tempo real a situação do país.

Aproximando-se das 23h, tanto a Rede Bandeirantes como a Jovem Pan informam o que, até então, era especulado: 10 estados brasileiros ficam total ou parcialmente sem luz. O Brasil enfrentava algum resquício dos apagões do início deste século? Itaipu teria sofrido algum atentado? O que teria, afinal, levado a essa situação? Essas eram as perguntas feitas naquele momento.



As respostas, surpreendentemente, eram informadas por onde? Pelas rádios. Tornávamos reféns de um veículo de comunicação que, ano após ano, entrou em desuso. Sem alternativas, as pessoas recebiam por lá informações de repórteres espalhados pelo Brasil e pela América Latina. As emissoras informavam, naquela noite, as causas e conseqüências do apagão.

Curioso e engraçado, não é mesmo? A madrugada ia começando e os rádios eram os únicos meios que estavam plenamente funcionando. Em alguns momentos, poderíamos até fazer referências – tomando as devidas perspectivas, é claro – ao começo das mídias de massa, quando somente ele levava a informação ao público, o querido ouvinte.

O mundo evolui, as pessoas mudam. Surgiu a televisão e, posteriormente, a internet. Passamos a adotar novos meios de informação. Quando existe luz, tudo bem. Quando não, voltamos ao passado e seguimos a tradição à risca. O apagão durou mais de cinco horas e não apagou as rádios. A informação, a prestação de serviço e, em ‘alguns vários’ casos, a única companhia esteve ali, apenas na voz.

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O VESTIDO DA UNIBAN

5 11 2009

por Zé Claudio Pimentel

Acompanhamos, constantemente, diversos escândalos que surgem dentro de instituições acadêmicas sérias e respeitadas, envolvendo alunos, professores e funcionários,. Há alguns dias, nos deparamos com o caso da estudante de turismo da UNIBAN, de São Paulo, que, em momento um tanto descontraído, foi para a faculdade com um vestido considerado curto e fora dos padrões, pasmem, pelos seus próprios colegas.

Muito se debateu a respeito nesses últimos dias. A mídia, em particular, tratou o caso de uma forma peculizar. A vítima foi a garota e os culpados, acabaram sendo os alunos. Será que, de fato, isso realmente coincide com a verdade? Pois bem, eu tenho minhas dúvidas.

Pelas imagens apresentadas e com relativo bom senso, a aluna parecia estar muito a vontade. No entanto, não vestia nada além do que as garotas de hoje em dia vestem. Então, qual foi o motivo de tanto alvoroço?

UNIBAN

Infelizmente, informações desencontradas de bastidores nos levam a crer que ela enfrentou uma professora, em uma abominável discussão sobre o modo de se vestir. A confusão estava feita. A massa, sob situações como esta, não pensa e nem raciocina. Apenas segue o fluxo.

E agora eu te pergunto, e a Universidade? Cadê? O que disse a respeito?! “Vamos apurar o caso”, informou o assessor. Esquisito isso, não? Se não existisse algo por trás, ela certamente se pronunciaria defendendo a sua imagem e tratando esse caso, como uma situação isolada que teve decorrência externa.

Abomino esse tipo de atitude. Abomino esse tipo de notícia. Condeno o papel da mídia que só se deu o trabalho de ver um lado. Abomino a atitude daqueles alunos que, nas imagens daquele vão central, pareciam realizar uma enorme rebelião.

Barbárie ou Brasil? O que foi aquilo?





A CULPA É NOSSA

28 10 2009

“A respeito de conversa que mantive com a jornalista Mônica Bergamo, tema de nota de sua coluna de hoje, sobre a extinção da Fundação José Sarney, maior espaço cultural do Maranhão e um dos maiores do Norte e Nordeste, explicito, com profundo sofrimento, que essa é a minha opinião, em face da impossibilidade de seu funcionamento, por falta de meios, segundo fui informado pelos administradores da instituição. Os doadores que a sustentam suspenderam suas contribuições, pela exposição com que a instituição passou a ser tratada por alguns órgãos da mídia.

Diante dessa situação de força maior, repito, com grande amargura, que o seu fechamento é o caminho a seguir, embora tal providência dependa de decisão do Conselho Curador da Fundação, obedecendo os trâmites previstos no Código do Processo Civil.

Lamento pelo Maranhão, que perde um centro de documentação e pesquisa que é uma referência nacional”.

*Declaração do presidente do Senado, José Sarney, em referência ao fechamento da Fundação Social José Sarney.





O papel do jornalista, indiscutivelmente, é informar. Seguindo os preceitos éticos, o profissional precisa levar a informação mais correta possível para as pessoas. O interesse público tem que estar acima de tudo.

O presidente do Senado sempre foi notícia. Na grande maioria das vezes, ele foi tema das mais polêmicas e notórias reportagens por estar envolvido em escândalos políticos. Isso é um fato comprovado e que constantemente derruba a credibilidade da organização sócio-política do país.

Roubar é crime. Usar indevidamente o bem público para beneficiar o privado é crime. Utilizar verba de patrocínio de um projeto social, também é crime.

José Sarney seria um criminoso? As denúncias dizem que sim. Já o brasileiro, claramente diz que não. Comodismo?

Tenho medo desse futuro. Não temos exemplo. Não somos o exemplo. Precisamos, definitivamente, reagir.





RIO DE JANEIRO SITIADO

19 10 2009

por Zé Claudio Pimentel

É inevitável começar a semana com o assunto que terminou a anterior. Rio de Janeiro, a cidade recém escolhida para sediar as olimpíadas de 2016, enfrentou, brutalmente, mais um dia de violência, tensão e guerra. Quem poderia imaginar que uma aeronave pudesse ser abatida por bandidos?

Acordei naquele sábado assistindo às imagens que pareciam de uma superprodução de holywood. O helicóptero em chamas, atravessando o morro, e desaparecendo entre os barracos. Assustador? Sim. Afinal, isso é novidade. Até então, não tínhamos tido a “oportunidade” de ver algo semelhante em território nacional.

*Imagens do helicóptero em chamas:

A questão que todos levantam é: até quando vamos deixar isso acontecer? A minha, em particular, é: como deixamos chegar a essa situação? Erramos, mas onde estão os acertos?

Infelizmente vivemos em um país de restrições. É muito mais fácil, na visão daqueles nos governam, restringir do que educar. O que não pode, não pode. Mas por que não pode? Existem alternativas? Certamente, é muito melhor, mais prático e mais seguro ensinar e esclarecer sobre o fato.

O artefato que atingiu aquele helicóptero saiu de onde? Questiono, nesse momento, não o bem material, mas o psicológico e intelectual. Aquela pessoa que apertou o gatilho atirou para destruir, para matar. Não só um, como todos os que estavam dentro.

O que será que passava naquela cabeça? Não vamos julgar, mais sim, nos colocar no lugar. Tente imaginar todo o contexto que permitiu chegar a essa situação. Um contexto baseado em negações e restrições. Um contexto para defender e brigar pela sua sobrevivência, assim como na selva.





MST E OS PÉS DE LARANJAS

8 10 2009

por Zé Claudio Pimentel

Nos últimos dias, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, o MST, ganhou as manchetes dos jornais pela invasão da fazenda produtora de laranjas da empresa CUTRALE, em Borebi, interior de São Paulo. Cerca de 250 famílias forçaram, sem sucesso, a desapropriação da área para que fossem estabelecidas, em caráter instantâneo, as diretrizes da reforma agrária.

Ontem, a reintegração de posse foi efetuada pela Polícia Militar. Os proprietários da fazenda tiveram como resultado, mais de 12 mil pés de laranjas destruídos, 28 tratores e implementos agrícolas destroçados e móveis e eletrodomésticos roubados pelos invasores. O MST, por sua vez, saiu praticamente ileso.

Antes de tirar qualquer conclusão acerca do assunto, é necessário que fique bem claro o papel do Movimento Sem-Terra. Pois bem, qual seria ele? Reivindicar a reforma agrária ou destruir a propriedade privada? Ou então tentar efetuar o primeiro por meio da segunda? Sinceramente, só tenho dúvidas a respeito.

Imaginem a situação: seu vizinho entrando em sua casa para usar o banheiro, alegando a falta de utilização deste, por você. A essência é a mesma. A visão aqui pode parecer individualista, a partir da perspectiva “burguesa” do assunto. No entanto, é de extrema importância, a meu ver, que fique claro qual, de fato, é a eficiência e os interesses deste movimento.

Grande parte da população condena o Sem-Terra, então quem os apóia? O governo é quem  está encobrindo tudo? Ou nós mesmos que, de forma um tanto cômoda, não questionamos a seriedade deles? Afinal, o sustento de todas essas famílias envolvidas vem de onde? E quando as invasões acabam, as pessoas vão dormir em qual lugar?

Ao invés de ficar escolhendo a próxima região a ser invadida, porque não ir trabalhar? Talvez o segredo disso tudo esteja aí: seria o MST fruto do nosso jeitinho brasileiro? Aonde vamos parar? Você eu não sei, mas eu, sim. Estou indo no banheiro do vizinho.





“Quando você não diz nada, você diz tudo”

1 10 2009

por José Claudio Pimentel

Instigante e interessante. Ah, os simples encantos da vida… Incrível como pequenos gestos podem representar grandes palavras. Ou então, maravilhoso quando, sem menos esperar, após um longo período de estagnação geral, o mundo parece estar conspirando a favor de você. Sim, sim, é surpreendente, ainda, poder ver a verdade nos olhos das pessoas e escutar delas algo que antes não era possível.

O sorriso, então? Convenhamos que para ele existir de uma forma contagiante e admirável é necessário que exista uma razão bem consistente – ou não – para isso. Ele surge, talvez, de um dos sentimentos mais e, ao mesmo tempo, menos presentes em nossa sociedade atual. Felicidade! Tão bom quando você a tem, melhor ainda quando ela dura eternamente.

ceu_1024x768.jpg image by menina-nuvem

Valores da vida são, sim, essenciais para a nossa existência. A partir deles que construímos nossa personalidade e nosso caráter. Além disso, é com eles que o indivíduo passa a repelir ou atrair pessoas do seu em torno, da sua convivência. E para muitos, ter alguém ao seu lado é muito importante para a manutenção do seu viver. Viver na solidão eterna é uma tarefa bem difícil – mas não impossível.

Saber então que uma outra pessoa precisa de você – não no sentido negativo, mas sim no de existência. Identificar isso somente pelo sorriso, pela fala, pelos gestos, pela convivência. Isso, ao mesmo tempo que pode gerar o repulsão pode, ainda, ocasionar a atração. Simples, rápido e fácil. Melhor ainda quando essa situação é recíproca.

Ceu1800.jpg Hoje o céu está mais azul image by mente_assumida

Começou sem pé nem cabeça, vai terminar da mesma forma. Esse texto não fala sobre alguma notícia, ou de algum fato que aconteceu recentemente. Ao contrário disso. Com relativo conteúdo, tento gerar aqui uma pequena reflexão agradável. Não sei, sinceramente, o motivo de tê-lo escrito assim, como também nem como veio a vontade de desenvolvê-lo.

Instigue a sua imaginação, torne interessante a sua vida. Encontre a sua felicidade.

Acho que estou encontrando a minha.

*Lembrete: Texto não factual e não, necessariamente, condizente com a realidade.






DE VOLTA

25 09 2009

por José Claudio Pimentel

Antes de tudo: desculpe por passar quase três semanas fora do Blog. Nesses últimos dias tive que me dedicar exclusivamente, dias e noites, para o Curta Santos – Festival Santista de Curtas Metragens, que este ano chegou a sua sétima edição.

Fruto de um ótimo planejamento, o festival, mais uma vez, foi um grande sucesso. Eu, na comunicação do evento, ao lado de uma equipe espetacular, consegui aprender muito e me dedicar exaustivamente a ponto de passar várias madrugadas acordado para garantir o resultado final.

Espero que tenham sentido a minha falta, pois senti a de vocês.

Vamos recomeçar um texto rápido.

GREVE: O QUE FAZER?

Talvez uma das atitudes ou ações mais questionáveis de todos os tempos seja o de realizar uma GREVE. Desde ontem, mais de 2800 agências no país inteiro paralisaram suas atividades como forma de protesto. Os sindicatos pedem um reajuste salarial de 7% e uma modificação na participação dos lucros.

Grevistas em Manaus (AM), nesta quinta (Foto:                 Alberto César Araújo/AE)

Não questiono e muito menos condeno, em momento algum, esse tipo de reivindicação. No entanto, serviços que se fazem necessários no cotidiano, como os relacionados à saúde, segurança e aos de utilidade pública, de um modo geral, não podem ser paralisados.

Condeno, veementemente, esse tipo de atitude e a forma que a sociedade lida com isso. Lutar pelos direitos é algo normal e necessário para a manutenção da ordem. O problema, porém, é quando essa luta acaba por atrapalhar, justamente, o funcionamento da máquina social.

Diga-me, então, qual é a verdadeira finalidade de uma greve?