A PALAVRA-CHAVE

26 10 2009

por Felipe Bartolozzi Perez

Nas eleições presidenciais de 2006, um candidato apareceu com destaque, a meu ver. Não, não era o atual presidente Lula, muito menos o “picolé de chuchu” Geraldo Alckmin. Também não eram os ditos “radicais” Rui Costa Pimenta e Heloísa Helena. Ah! Só pode ser o Eymael! Não, calma, não chega a tanto. O tal candidato era o hoje senador Cristovam Buarque, afiliado ao PDT. Mas por que ele se destacou? Simples é a resposta: sua principal meta era a educação. Até por isso, recebeu muitas críticas, diziam que o candidato não tinha projeto e por isso respondia a todas as indagações com a mesma resposta, a famigerada educação. Para este blogueiro, a atitude de Cristovam Buarque não demonstrava despreparo, mas muito pelo contrário, foi o único candidato que conseguiu analisar os problemas do país e encontrar o ponto de coincidência entre eles.

Senador Cristovam Buarque, do PDT/DF (Créditos: Rodrigo Fonseca - O Globo)
Senador Cristovam Buarque, do PDT/DF (Créditos: Rodrigo Fonseca – O Globo)

Como explicitou o companheiro Thiago Gusmão (como diria o presidente…) em seu texto “O IDH nosso de cada dia”, a educação é muito relevante para o desenvolvimento de um país. E observando os dados do IDH referente ao ano de 2007, que levam em consideração a taxa bruta de matrícula e a proporção de adultos analfabetos, pode-se notar uma melhora no sistema educacional brasileiro. Mas será que esses dados representam inteiramente a realidade? Primeiramente, a taxa bruta de matrícula não tem “peso” em uma análise fria da questão. Teria, se o sistema não fosse de progressão continuada. Em relação à proporção de analfabetos adultos, deve-se exaltar o aumento de programas de alfabetização, mas que dependem, em sua maioria de ações de voluntariado. Sem contar o crescimento progressivo dos analfabetos funcionais, aqueles que sabem até escrever, mas não fazem nenhuma ideia do significado daquele amontoado de letras.

É possível afirmar com segurança que muitos dos problemas atuais do Brasil seriam resolvidos a partir de investimentos na educação. Afinal, é a base fundamental, não há país no mundo que tenha se desenvolvido sem priorizar o ensino. Décadas atrás não se pensava que o ensino público ficaria tão fraco como está, uma vez que as melhores instituições de ensino fundamental e médio eram estatais. Será que a maioria dos problemas relacionados à desigualdade social não seriam aplacados pela melhora do ensino público? Educação de qualidade poderia transformar a vida dos menos abastados, fortalecendo a formação tanto profissional como pessoal e possibilitando, consequentemente, oportunidades de emprego, ou seja, uma vida melhor. E não para por aí, para todas as questões, sejam elas relacionadas à ordem política, social ou econômica, há uma ligação forte com os problemas da educação.

A partir do exposto, fica a pergunta: por que não investir os milhões destinados à eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos em educação? Certo é que para os governantes, quanto mais ignorantes forem seus governados, melhor é. Mais fácil é a manipulação da massa quando esta se mostra acéfala. Além do que os resultados de investimentos em educação aparecem a longo prazo, logo, o governante que tomasse essa atitude não receberia os louros, ou pior, correria o risco de deixá-los a um rival. E, por último, o que aparece mais na mídia, eventos de repercussão internacional, como a Copa e as Olimpíadas, ou melhorias em escolas públicas e aumento de salário de professores?

Enquanto esperamos a boa vontade dos políticos, helicópteros são abatidos, inocentes são assassinados e fica tudo por isso mesmo. O que você acha disso? Concorde, discorde, comente.

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TODO MUNDO EM PÂNICO

17 09 2009

por Felipe Bartolozzi Perez

Medo. Este é um sentimento cada vez mais presente nas cidades brasileiras, sobretudo nas metrópoles. E não se trata de atentados terroristas como abordou o texto da semana passada, mas sim de uma triste realidade que já se tornou parte do cotidiano do cidadão brasileiro. É claro que todo mundo já sabe disso, mas é impossível não bater na mesma tecla: não há mais lugar seguro. Algumas décadas atrás as casas eram tidas como o refúgio da família, isso porque realmente eram locais em que a violência – que também não tinha as proporções atuais – não chegava. As famosas plaquinhas de jardim com a inscrição “Aqui mora uma família feliz!” fariam mais sentido naquela época.

A motivação para este texto veio do noticiário, mais precisamente o jornal vespertino da Rede Globo, que podia mudar o nome de “Jornal Hoje” para “Linha Direta”. As reportagens eram, em sua maioria, sobre seqüestros, roubos e arrastões ocorridos pelo Brasil afora. Destas, duas apareceram como mais “interessantes” – se é que podem ser consideradas dessa forma – e enfocavam um caso de tortura de uma família em sua própria casa e um falso arrastão.

A primeira matéria contava o drama pelo qual passou a família que ficou presa em sua própria residência, ameaçada e torturada por marginais. Eram três pessoas na casa: um homem, uma mulher (paciente terminal de câncer) e um menino de três anos, filho do casal. A condição dos reféns só demonstra a frieza e a completa falta de escrúpulos dos bandidos, que torturaram as vítimas sem hesitar.

José Mariano Beltrame, secretário de segurança do Rio (Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo)

José Mariano Beltrame, secretário de segurança do Rio (Foto: Marcelo Carnaval / Agência O Globo)

A segunda reportagem seria cômica se não fosse trágica, isso porque mostrava um “quase arrastão”. No Rio de Janeiro, em um movimentado túnel, duas motos “estouraram” o escapamento, provocando barulho semelhante a tiros e causando pânico em quem passava pelo local. Houve quem tenha abandonado o carro no túnel e saído às pressas, pessoas gritando, saindo pela contramão. Um caos. Agora, quem pensa “bom, já que não foram tiros, tudo bem” está muito enganado. A reação das pessoas representa o estado de insegurança das cidades brasileiras e o reflexo desse medo na população. Não será também um tipo de tortura?

Mais revoltante é saber que estas foram apenas duas matérias e que outras com conteúdos muitas vezes mais “sangrentos” acontecem todos os dias, sem contar os casos que ninguém fica sabendo. Enquanto os governantes estão mais preocupados com campanhas para as Olimpíadas de 2016, com a Copa do Mundo de 2014 e com o pré-sal, a população fica esquecida e jogada nas mãos dos delinquentes. Como disse o secretário de segurança do Rio, José Mariano Beltrame, a sensação de segurança vai vir aos poucos. “A nossa função é planejamento, é pensar em segurança pública para daqui a 10 anos. Não vou atropelar esse processo de concretização”, disse ele. Fica a pergunta: o que será da segurança pública nesses 10 anos, se é que até lá o cidadão vai ter a tal “sensação de segurança”? E as vítimas de hoje?

O que vocês acham da situação da segurança pública no Brasil? Já se sentiu ameaçado ou foi vítima de violência? Comente!





DIAS MARCANTES

11 09 2009

Não são poucas as pessoas que sentem dificuldade em guardar dados e acontecimentos na memória. Desde o famoso e temido “branco” durante as provas, até datas importantes, como aniversários e dias de pagamento de contas – sim, já que ninguém esquece o dia de receber o salário – e, em casos extremos, o que se comeu no café da manhã. Entretanto, certos eventos ficam retidos na lembrança tão nitidamente que ao fechar os olhos nos sentimos transportados no tempo, como se voltássemos até aquele dia. Sentimos o cheiro do lugar, escutamos a música do ambiente. Mas não são apenas as coisas que fazemos que ficam em nossa memória, certos fatos distantes da nossa realidade também podem ser memorizados.

Hoje, 11 de Setembro, é um daqueles dias que marcam. Primeiro pelo aniversário de um amigo – Parabéns, Zé! – e em segundo por outro aniversário, só que nada festivo e alegre: são oito anos do atentado às Torres Gêmeas do World Trade Center. As consequências desse dia são muitas, tanto para quem estava no prédio ou conhecia alguma das vítimas, quanto para quem estava em casa, em outro país, assistindo tudo na televisão.

Eu tinha 10 anos, estudava no período da tarde ainda, e havia acabado de almoçar. Escuto minha mãe na sala chamando para ver o que tinha acontecido. “O avião bateu no prédio!”, dizia ela. Nunca aventaria a possibilidade de terrorismo, nem sabia o que era isso. Fiquei perplexo quando a segunda torre foi atingida e mais ainda quando ambas caíram. Na escola só se falava nisso e nos programas de televisão nem se fala, overdose de atentado.

Portanto, todo 11 de Setembro, pelo menos para mim, é dia de comemorar o aniversário de um amigo, mas também de relembrar, por pelo menos alguns minutos, esse triste episódio na história da humanidade.

E para você, quais são os episódios que ficaram na memória? Conte para a gente! E, mais uma vez…


PARABÉNS, ZÉ!

Site do Memorial do 11 de Setembro: http://makehistory.national911memorial.org/#





SERÁ QUE VALE A PENA?

3 09 2009

por Felipe Bartolozzi Perez

“A tecnologia avança cada dia mais rapidamente, facilitando nossas vidas e poupando nosso precioso tempo”, quem nunca ouviu algo parecido com isso? Ou então, quem nunca passou minutos a fio tentando explicar o que é e/ou como funciona uma inovação tecnológica a alguém? E nem precisa ser uma pessoa mais tecnologia1velha, eu mesmo demorei até entender o que era o tal do twitter. Interessante é que por um lado ganhamos tempo, já que as tarefas se tornam mais fáceis, mas por outro perdemos tempo, uma vez que precisamos aprender o que são, para que servem e como podemos utilizar as engenhocas modernas.

Mas as novidades não se restringem ao mundo dos aparelhos eletrônicos e computadores. Todas as áreas sofrem mudanças. A medicina é um exemplo e é nela, inclusive, que a evolução tecnológica se mostra mais importante, afinal, tem como objetivo salvar vidas e oferecer uma qualidade de vida melhor às pessoas. Entretanto, não é sempre que as inovações têm esse objetivo na medicina e é a partir daí que se questiona: até que ponto vale a pena mudar? Bom é deixar claro que não se trata de “parar no tempo”, mas sim de estabelecer limites para certas inovações. Que o potencial do ser humano é ilimitado não se discute, o que se pretende é saber até onde não estamos desrespeitando a natureza.

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Um bom exemplo apareceu no programa “Profissão Repórter”, da Rede Globo, em que duas homossexuais que vivem juntas decidiram ter filhos gêmeos e para isso foram a uma clínica de fertilização. Uma doou os óvulos que foram fecundados com sêmen de um doador anônimo e a outra teve os embriões fecundados em seu útero. O problema delas agora está em registrar as crianças no nome das duas. É difícil se posicionar diante do que aconteceu, mas as crianças terão duas mães e um pai? Ou terão apenas duas mães?

A manipulação genética é perigosa e contraria a natureza, há quem diga que representa o Homem “brincando de Deus”. É o caso do médico Roger Abdelmassih, acusado de estuprar suas pacientes e de manipular o material genético delas, sendo que pouca gente tem conhecimento dessa segunda acusação.

Os avanços tecnológicos são sempre bem vindos, desde que úteis. A pesquisa com células-tronco, por exemplo, tem uma finalidade incrível. Em vez de descartar embriões, estes seriam aproveitados para pesquisa e, quem sabe um dia, possibilitem a descoberta para a cura de algumas doenças e limitações. Em contraponto, a manipulação genética que objetiva a escolha das características de filhos, é extremamente dispensável, é dispensar o que a natureza provê. Vai virar um self-service de filhos. Absurdo. Realmente, isso é brincar de Deus.





INTOLERÂNCIA À FLOR DA PELE

27 08 2009

por Felipe Bartolozzi Perez

No último domingo fiquei indignado. E não foi pelo fato do São Paulo ter perdido – antes fosse. Logo após ter ouvido muitos “ô louco, bicho!” e “esse é fera, meu!” do Faustão, parei para assistir o “Fantástico”, que anunciava uma série de atrações “interessantes”. Não foi a manada de gnus atravessando um rio cheio de crocodilos, o menino de oito anos que voou na asa de um avião e nem o desaparecimento do Belchior, mas sim uma matéria muito menos divulgada. A reportagem apresentava a denúncia de um judeu ortodoxo que diz ter sofrido humilhações na cadeia, inclusive com insultos nazistas (leia a reportagem na íntegra).

racismoAo assistir a reportagem fiquei revoltado com a atitude dos policiais, aqueles que, teoricamente, tem a função de zelar pelo cumprimento das leis, mas que, pelo despreparo, tomam atitudes como essa frequentemente. Entretanto, não é dos abusos de poder da polícia que venho discutir. A matéria do “Fantástico” trouxe à tona um tema muito abrangente e muito comum na sociedade atual: a intolerância.

Gerada pelo preconceito, a intolerância pode assumir diversas formas, desde a racial, a religiosa e a sexual, até a referente à escolha de times de futebol. Por ser uma ação discriminatória, a intolerância contém uma grande dose de ignorância, o que deve ser combatido desde cedo na formação das pessoas, tanto nas escolas como em casa. Enquanto a sociedade não é educada, é papel do Estado garantir que não haja preconceito e intolerância. Mas se os próprios policiais, que são membros do Estado, agem de forma intolerante, quem vai nos defender?

É absurdo que em pleno século XXI ainda haja quem tenha preconceito. Agora, pior do que ser preconceituoso é exteriorizar esse sentimento. Atitudes ameaçadoras e violentas são cada vez mais comuns, as pessoas parecem não aceitar que possam existir pessoas diferentes no mundo. No Brasil, essa situação tende a ser mais contraditória, uma vez que este é o país da miscigenação, da mistura de raças. Ser intolerante é não aceitar uma identidade nacional, é ser pretensioso o bastante para se achar o “certo”, o padrão a ser seguido, é desrespeitar o próximo e as liberdades individuais.

Preconceito. Só sabe como é ruim quem já sofreu.

Tive a sorte de nunca ter sofrido o preconceito na pele. Mas e vocês, já sofreram algum tipo de preconceito? O que acham da intolerância no mundo atualmente? Comentem!





PRIMEIRA SEMANA

23 08 2009

Olá pessoal!

Chegamos ao final da nossa primeira semana. Acreditamos que, ao poucos, estamos conseguindo mostrar a nossa personalidade e nossas intenções com este blog.

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Nesses sete dias já ultrapassamos a marca de 2.150 visualizações e mais de 70 comentários. Para nós, estes números, muito mais do que quantidade, servem como termómetros de qualidade. Estamos tentando fazer o ‘ótimo’ para receber , no mínimo, o ‘bom’. No entanto, o retorno, graças a todos vocês, superou todas as expectativas e está sendo excelente.

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Obrigado por fazer, junto com a gente, o blog “Fatos e Versões”!

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Veja quem será a nossa “Convidada da Semana”:

RAISSARAISSA ALONSO é uma menina que acabou de virar gente grande ao fazer 18 anos no último dia 24 de julho. Ela é de São Paulo, mas veio pra Santos/SP e só voltou agora, ao passar no curso de História da Universidade de São Paulo (USP). Gosta de música boa, companhia agradável, viajar e de usar neologismos que pouca gente entende. Acha bonito usar palavras compridas, mas também acha que o silêncio geralmente fala mais do que várias delas. Adora os assuntos de gente grande, mesmo que não passe de um metro e sessenta e um.





O PREÇO DA FÉ

20 08 2009

por Felipe Bartolozzi Perez

Há certos momentos na vida em que tudo parece dar errado: o dia está chuvoso, o pão cai no chão virado para o lado da manteiga, você sai atrasado de casa e perde o ônibus, enfim, você precisa de ajuda. O que a maioria das pessoas faz? Procuram um psicólogo? Vão a uma aula de yoga? Não! Pelo menos no Brasil, país de maioria católica, uma novena, um terço ou uma vela de sete dias pode ajudar a amenizar o sofrimento quando a situação está difícil. Entretanto, para os bispos da Igreja Universal, basta que cada um de seus fiéis doe seus bens para que a salvação esteja garantida.

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Edir Macedo, líder da Igreja Universal e proprietário da TV Record

Brincadeiras à parte, uma das funções da religião na vida do ser humano é trazer conforto, tranqüilidade, paz de espírito ao homem. Contudo, quando se trata de relações humanas, há sempre alguém disposto a tirar uma “casquinha” dos outros. E, infelizmente, parece ser essa a proposta da Igreja Universal do Reino de Deus, que tem sido bombardeada pelo Ministério Público com acusações de estelionato e lavagem de dinheiro.

Se as acusações procedem ou não, cabe aos órgãos competentes investigar e descobrir, mas é importante que as pessoas se posicionem a respeito do assunto. Há quem diga que tudo não passa de um complô contra o bispo Edir Macedo ou que é armação da Rede Globo. Realmente não se pode descartar nenhuma dessas hipóteses, mesmo que pareçam improváveis diante das provas apresentadas. Na opinião deste blogueiro, entretanto, a máscara da Universal caiu.

Sinceramente, doações são normais em templos das mais variadas religiões, mas do jeito que se apresentava na Igreja de Edir Macedo, ficava clara a ganância dos bispos, que muitas vezes se aproveitavam da ignorância ou da fragilidade emocional de seus fiéis para tirar deles o “bendito” dízimo, que muitas vezes era muito mais do que isso.

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A ganância não é privilégio da Universal, a própria Igreja católica já cobrou indulgências séculos atrás e atualmente esbanja luxo e riqueza no Vaticano. Chega a ser irônico: o Papa discursa contra a fome e a pobreza e logo depois toma banho em banheiras com torneiras banhadas a ouro e come do bom e do melhor. É claro que ninguém quer que a partir de agora o Papa passe a tomar banho de canequinha na pia ou que coma restos de comida, mas será que os religiosos de verdade, que prezam o espiritual e não o material, precisam de todo esse glamour?

Bom, religião cada um tem a sua e não se discute. Mas vocês concordam totalmente com os preceitos de suas religiões? O que acham do caso da Igreja Universal? Comentem!