REFLEXO

13 10 2009

por Gabriel Maturino dos Anjos, convidado da semana

Acordo já de cara com ele. Barba por fazer, uma ou outra espinha, cara de sono. Hálito, não sinto. Toda manhã é a mesma coisa: levanta-se e vem me ver. Chega pertinho, às vezes, me olha nos olhos, me encosta na parede… Seu nome não sei.

Pede minha opinião sempre que vai sair. A roupa está boa, pode ir trabalhar despreocupado!

Tem dias que vem de terno, outros de blusão. Já vi de pijamas e pelado, então… Admito que não consigo resistir e dou uma olhada quando ele vira pra cá, pra lá, me mostra um pneuzinho e eu logo tento mentir.

Mentir é algo que não consigo, tento ser sincero ao máximo, sempre! Se me perguntar, direi que sim, a roupa está amassada. Sim, você fez mal sua barba. Sim, os grisalhos chegaram mais cedo e aqueles ainda castanhos que já caíram, não vão mais nascer.

Elogio também, quando merece. Afinal, numa relação como essa é preciso ver as coisas pelos dois lados.

Que bela escolha de roupas. O sapato está perfeito! Seus olhos são lindos!

Ele cuida de mim, também. Mexe comigo, me faz um carinho de vez em quando, procura o melhor lugar para mim.

Mas sou duro quando é necessário. Faço, não só ele, mas todos, enxergarem as verdades que residem dentro de si mesmos, querendo eles ou não.

Mostro como seus rostos estampam o aborrecimento. O sofrimento. O arrependimento. O amor. A tristeza. Tudo o que tentam esconder de mim e dos próprios olhos. Nenhum truque funciona comigo.

Não sou mágico também, só mostro o que vejo. Agüento caretas, presencio risos, tento acudir os choros, mas nunca pude secar uma única lágrima dele.

Em relação a isso me sinto um inútil.

Em compensação, é para mim que ele declama os ensaios de suas reuniões. Eu sou o único que lhe dou atenção quando nem ele parece acreditar em si mesmo. Mostro o quão forte ele realmente é, sem exageros.

Se eu fosse exagerado, estaria no parque de diversões.

Jamais vi meu rosto, ele está sempre coberto por um véu de brilhos infinitos. Não sei sorrir sozinho, chorar sozinho, me vestir sozinho…

Tem vezes que eu até me confundo com ele, por alguns segundos penso que posso ser humano.

Sei que, às vezes, ele também acha que sou.

Quando confia, só a mim, seus maiores segredos, seus medos, suas felicidades.

Acordo já de cara com ele, vendo as verdades.

Meu reflexo é o seu presente… Seu reflexo é o meu.

Obrigado por me polir de vez em quando, de me limpar e evitar os arranhões. Tenho de agradecer por tudo, afinal, sou um espelho sincero.





QUAL MESMO A UTILIDADE DO DIPLOMA?

7 10 2009

por Fernanda Haddad

É…e ainda há quem diga que o jornalismo não é digno de diploma! Talvez porque não saibam da diferença entre uma fotografia com total profundidade de campo e o diafragma um pouco mais fechado, ou de uma com o tempo maior do obturador aberto onde a iluminação esteja baixa; talvez porque não saibam da importância de se colocar uma capitular, ou ainda um olho, em uma matéria bem diagramada; talvez porque não saibam das necessidades de um bom treinamento de técnicas vocais para se gravar em um estúdio de rádio, ou ainda como manusear uma mesa de som; E talvez porque não saibam qual a diferença entre um bom lead em uma matéria informativa, e talvez o uso do “nariz de cera” em um texto interpretativo…

jornalismooo

Mas, antes de tudo, não quero ser injusta, e nem um pouco hipócrita, pois ao tomarem essa atitude da não exigência do diploma obrigatório para a profissão, mesmo afetando milhões de profissionais já formados, e estudantes que de alguma forma mantém a credibilidade na profissão, eles devem saber o que estão fazendo.

Assim como qualquer pessoa pode escrever o que pensa nos veículos de comunicação, pois, é claro, não há dificuldade nisso; espero também que “eles” pensem na possibilidade de qualquer um, com diploma ou não, realizar um procedimento cirúrgico, ou ainda defender o Estado como qualquer outro promotor de justiça.

São coisas fáceis de se fazer, não deve haver grandes complicações, não acham ?





ALIENAÇÃO E DESINFORMAÇÃO ENTRE OS JOVENS: ATÉ QUANDO?

2 10 2009

Por Pedro Lopes

 

1º de outubro, quinta-feira, 5 da tarde.

 – Alô?

– Oi. E aí, e o Enem, hein?

– O que tem o Enem?

– Como assim? Você tá brincando?

– Não. O Enem é no sábado, preenchi minha ficha esses dias.

– Era no sábado…

– Como assim?

– Foi cancelado.

– É sério que cancelaram?

– É. Cancelaram porque a prova vazou. Procuraram o Estadão e ofereceram a prova em troca de 500 mil. Uma história muito mal contada.

– É sério isso?

– Já falei que é!

– Nossa, não sabia…

– É… De vez em quando, eu me pergunto: “O que ela sabe?”.

– Lá vem você me criticando mais uma vez… Não gosto disso.

– Parei.

– Odeio quando você faz isso, Pedro. Sempre fica me diminuindo, me menosprezando.

– Tô quieto… Só acho estranho o fato de você não saber de um adiamento que vai mexer com a sua vida.

– Não tenho culpa de não saber.

– Isso é o que você acha. Já passou da hora de sair da bolha, né? Essa falta de informação pode te prejudicar daqui uns anos…

– Não fala o que você não sabe. Eu sou informada.

– É?

– Sou.

– Quero só ver… Um país da América Central sofreu um golpe militar há um tempinho. O presidente deposto até ficou na embaixada brasileira. Que país é esse?

– Cuba?

 

A conversa – para alguns, uma discussão de casal – relatada nas linhas acima aconteceu há poucos minutos. Do outro lado da linha, estava minha ex-namorada, a M., que tem 17 anos e faria a prova do Enem no sábado. Após a menção ao país de Fidel Castro, abreviei o diálogo e desliguei o telefone.

 

A M., pasmem, estuda há muitos anos em uma instituição – uma das mais famosas de Santos – cuja mensalidade beira os mil reais por mês. Para ela, Manuel Zelaya e Fernando Haddad são ilustres desconhecidos.

 

Quando questionada por mim sobre o que havia feito hoje, ela falou de sua ida ao salão, onde fez a sobrancelha. Enquanto sua sobrancelha era corrigida, a funcionária tecia comentários sobre a vida de sua filha. A pobre funcionária talvez nem tenha a obrigação de saber do adiamento do Enem. Já a M…

 

Fica o registro. A caixa de comentários está aberta para a indignação de vocês e eventuais risadas.

 

Brasil-sil-sil-sil!





DESENVOLVIMENTO X PLANETA TERRA

30 09 2009

por Carolina Araujo

Se Karl Marx ainda vivesse nos tempos de hoje, publicaria um novo estudo para o que chamou de o “motor da história”. Admitiria – e seria obrigado a isso – que a tão falada luta de classes foi substituída pela desmedida busca por capital, pelo “capitalismo selvagem” de nós mesmos, homens primatas, como já disseram Os Titãs.

Não é difícil notar que sem dinheiro não fazemos nada, mas isso é normal, faz parte do sistema em que vivemos. O que não é e não pode tornar-se cotidiano é que o fato de enriquecer esteja acima de todo o resto.

ciceroart.blogspot.com

ciceroart.blogspot.com

No momento em que deixamos de falar de indivíduos e suas casas e passamos aos países e ao planeta Terra, o problema se agrava de maneira significativa. Pois enriquecer vira se tornar biliardário e se desenvolver se transforma em construir o maior número de indústrias possíveis. A questão é identificar até que ponto esse “possível” pode suportar. Por exemplo, o dono de um apartamento começa a enriquecer, compra mais móveis, aparelhos; aumenta seu consumo, seu lixo, em certo ponto o apartamento já não será mais suficiente e ele terá que mudar-se para uma casa maior. Porém, tratando-se da Terra, quando ela se tornar pequena demais, as pessoas não poderão simplesmente se mudar e começar tudo de novo. Elas terão então que reformar a “antiga casa”. E o planeta precisa de uma reforma urgente.

Enriquecer e se desenvolver não seriam problemas se todos entendessem que vamos viver para sempre na mesma casa e por isso ela não pode se esgotar nunca. Um bom planejamento dos recursos disponíveis poderia ser um ótimo começo, controlando o uso, da mesma forma com que fazemos com o dinheirinho de todo mês, mas nesse caso não existe cheque especial. Cuidar do que é nosso depende apenas de nós mesmo e, muitas vezes, a solução pode ser tão simples como resolver problemas de nossos cotidianos. O que fazer então para que a “Era da Globalização” não se torne sinônimo de a “Era da destruição”?





DIA MUNDIAL SEM CARRO

23 09 2009

por Júlio Cesar Costa Pessoa

Surgiu no ano de 1998, na França, um movimento internacional lá chamado de Semana Européia da Mobilidade. O evento que ocorre do dia 16 a 22 de setembro, inclui várias atividades e foi adotado por muitos países em 2000. A idéia importada é de que as pessoas deixem por este dia o carro nas garagens e se locomovam através de transportes alternativos como bicicletas, metrôs, ônibus… Em São Paulo, é a primeira vez que a campanha é protagonizada pela sociedade civil e as atividades programadas dividem-se em culturais, esportivas e de mobilização.

Todos os dias os cidadãos são “bombardeados” de informações como esta, sobre o mal que a poluição dos carros fazem a nós mesmos. A preocupação, que aumenta dia a dia, vai surgindo aos poucos e é evidenciada através de movimentos populares e internacionais e com a própria tecnologia, nas novas soluções energéticas para os meios de transporte.

No Rio de Janeiro, o prefeito e alguns assessores deram sua força à campanha do Dia Mundial Sem Carro e foram ao trabalho de bicicleta. O rio ainda contou com a totalidade das frotas de ônibus nas ruas da cidade. Na capital que tem a maior frota automotiva do país – São Paulo – ocorreram algumas manifestações. A maioria na Avenida Paulista e arredores. Por lá cavalos passaram, barracas foram montadas, muitos ciclistas também compareceram… Nenhuma atividade tinha sido anteriormente organizada pela prefeitura, mas Kassab também deu o exemplo e se locomoveu de ônibus. Ainda na política, em alguns anos atrás, estivemos de frente com as propostas de Soninha que na época era candidata à Prefeitura de SP pelo PPS. Ela não detalhava muito bem tal proposta mas sempre defendera as ciclovias como transporte alternativo.

Contradizendo o ideal do Dia Sem Carro, o trânsito nas duas maiores capitais do Brasil estava ainda dentro da média, quase inalterados, e pelo contrário do que acontece nos países desenvolvidos, onde o volume de carros vendidos declina aceleradamente, as projeções sinalizam novos recordes até o fim do ano.

 É esperado que cada vez mais apareçam novas iniciativas como esta, em prol da saúde do planeta – a humanidade ouve cada vez mais os gritos da nossa Terra -. A defesa e divulgação destas ideologias, que hoje é feita geralmente por ONGs e pessoas solidárias ao meio-ambiente, é e será sempre muito importante. Mas infelizmente na situação em que se encontram as grandes capitais, pensar em um único dia sem os carros é uma missão quase impossível: as distâncias são grandes e a infra-estrutura é inexistente. Hoje as pessoas já têm medo da violência andando de carro, os transportes coletivos ou alternativos deixariam os medos e traumas enfatizados por estarem todos muito mais expostos aos prejuízos materiais e psicológicos. Citar as bicicletas é lembrar que não se tem facilidade em usufruir delas como um meio transporte seguro nas metrópoles. A única ciclovia que está em funcionamento hoje em SP une três parques da cidade e só é realmente efetivada aos domingos, em um horário decretado.

O fato é claro: a sociedade necessita, mesmo que lentamente, reduzir o hábito da utilização excessiva dos veículos, mas as organizações públicas não criam as oportunidades para isso. Não há investimento necessário em infra-estrutura no transporte público ou nos alternativos. E aí entramos em outra discussão, que não cabe na ocasião, o julgamento: será que existem prioridades para o investimento público ou há desinteresse em relação aos transportes? Há ainda teorias que dizem que as ruas de São Paulo vão parar…





ANO DE VESTIBULAR

16 09 2009

por Marina Tavares

Só quem já passou por um “ano de vestibular” sabe o quão difícil é. E não falo de qualquer terceiro ano comum, com preocupações como formatura, Porto Seguro, boletim, passar de ano, a roupa do sábado, etc. Falo daquele ano dedicado quase exclusivamente à(s) maldita(s) prova(s) que acontece(m) durante os últimos meses. Falo daquele período em que dormimos pouco, comemos muito, utilizamos todo o tempo para estudar e, ainda assim, é insuficiente.

Parece exagero, mas hoje em dia o vestibulando que quer (ou algumas vezes PRECISA) ingressar numa faculdade pública, dificilmente sai ileso. Estudos apontam que os casos podem variar de estresse à depressão, passando por aumento de peso, problemas de postura e deficiência do sistema imunológico. Isso ocorre principalmente devido à associação da fragilidade emocional causada pela pressão dos parentes e professores, com a exaustiva rotina de intermináveis estudos.

Este ano, porém, o governo decidiu interferir. Alegando inicialmente preocupação com as abusivas taxas dos vestibulares, a dificuldade dos alunos de viajar para fazer a prova em outros estados, e a “decoreba” exigida, decidiu-se unificar, através do “Novo Enem”, uma série de vestibulares para universidades federais e particulares. Para este ano, porém, o projeto funciona pela metade: devido à adesão parcial do Enem pela maioria das universidades, os alunos pagam ainda as mesmas taxas (entre 70 e 120 reais para cada vestibular), devem deslocar-se até outros estados para realizar as provas, e terão ainda que sobreviver à exaustiva prova do Enem, que contará com 180 questões de leitura intensa e uma redação.

Outra novidade dos vestibulares é o Programa de Ação Afirmativa, que promove a igualdade da oportunidade de acesso para todas as raças e classes sociais. Como prometi a mim mesma não cair no clichê de discussão sobre cotas raciais me limito a um dado apenas: na conceituada Universidade Federal de Santa Catarina, para o vestibular 2009 visando o curso de Artes Cênicas, 3 (três) das 30 (trinta) vagas foram reservadas para candidatos negros (independente da classe social). O número de inscritos para tais vagas foi também TRÊS, o que significa que os negros inscritos sequer tiveram que comparecer no dia da prova para que fossem aprovados. Em compensação, o número de vagas para candidatos que estudaram em escolas públicas foi 6 (seis), para os 26 (vinte e seis) inscritos na categoria, ou seja, uma relação de 4,33 candidatos por vaga. (fonte e relações semelhantes em outros cursos: http://www.vestibular2009.ufsc.br/relatorio/vestcva02.html )

Como o parágrafo acima já diz mais do que eu pretendia, encerro questionando a efetividade das ações governamentais contra a “tortura” que são os vestibulares atuais. Quem será favorecido pelo Novo Enem? Quando? E principalmente: por que a necessidade, no Brasil, de tamanha dificuldade para estudar numa boa universidade sem ter que gastar tanto dinheiro? Será que a solução é facilitar as provas ou igualar a qualidade do ensino fundamental público à do particular?





PÃO E CIRCO: QUANDO O FUTEBOL SE MISTURA COM A POLÍTICA

2 09 2009

por Pedro Lopes

Quando se pensa nas obrigações de um prefeito, logo vêm à cabeça itens como segurança pública, educação, empregos e saúde. Acostumados às cobranças e aos apelos populares, os políticos costumam destinar – em alguns casos, ao menos deveriam… – boa parte do orçamento de um município para resolver ou amenizar essas questões.

No entanto, para alguns mandatários espalhados pelo Brasil, as prioridades citadas acima ficam em segundo plano. Tudo por conta do… futebol. São os clubes bancados por prefeituras, exemplos que vão se disseminando em todos os cantos do Brasil.

A parceria funciona de duas formas. No caso mais difundido por aqui, a prefeitura “assume” a direção do clube, passando a bancar a folha de pagamento de comissão técnica e jogadores. O outro tipo de financiamento é mais discreto, já que ocorre através da liberação do estádio municipal sem a cobrança de aluguel, utilização comercial de placas sem licitações e não-cobrança de impostos.

A intenção dos políticos com a prática em questão é nítida: ele se apropria da imagem do clube, e, quando chegam os bons resultados – como tem acontecido com Barueri, Santo André, Ipatinga e Itumbiara –, logo ocorre a associação entre as duas figuras. Em outras palavras: funciona como uma promoção fácil, até porque os benefícios políticos não são poucos. Trata-se não só de um problema econômico, mas, sim, de ética na política. A prática, embora seja legal, não é legítima.

futebol

Entre os times de prefeitura, o caso mais notório até hoje foi o São Caetano, que conseguiu ótimos resultados alguns anos atrás. Finalista da Libertadores, da Copa João Havelange e campeão paulista, a equipe era respaldada por Luiz Tortorello, prefeito da cidade do ABC paulista em três ocasiões. Hoje, com a parceria estremecida, o São Caetano ocupa a 5ª colocação na segunda divisão nacional.

O Barueri, outro exemplo bem sucedido entre os times de prefeitura, vem sofrendo os reflexos de um desentendimento com seus mecenas. Até os salários serem atrasados, era a sensação da série A. Com os atrasos nos pagamentos, os resultados, assim como o ambiente interno, não são mais os mesmos.

Por sua vez, o Ipatinga, que esteve na elite do Brasileirão em 2008, não conta só com o apoio da prefeitura: o clube ganha um “incentivo” da Usiminas, siderúrgica fortíssima situada no Vale do Aço.

Se, no caso das três equipes e cidades mencionadas, o orçamento é razoavelmente alto para ambos, há prefeitos de cidades menores que também adotaram o costume.

O Itumbiara, clube goiano que carrega o nome da cidade, consegue ser mais imoral que outras equipes. Na campanha vitoriosa no Campeonato Goiano do ano passado, o presidente do clube e prefeito da cidade pagou os salários dos jogadores e ofereceu também ingressos de graça para quem estivesse com o IPTU e INSS em dia. E não fica por aí: chegou a bancar o combustível dos torcedores que queriam acompanhar a final do campeonato contra o Goiás em Goiânia.

Se usassem os clubes e o esporte como instrumentos de transformação social – como sugeriu o Thiago em post recente –, a atitude dos prefeitos seria menos condenável. A intenção dos políticos em questão, entretanto, é outra. Usar o esporte para mudar a vida da juventude leva um bom tempo, o que acaba representando um conflito de interesses para eles. O jeito, portanto, é investir nos times profissionais e esperar resultados, repercussão e dinheiro. Não só para o clube, se é que vocês me entendem.

O CAMINHO INVERSO: DO FUTEBOL PARA A POLÍTICA

Há também quem use os grandes clubes de futebol como um trampolim para a política.

Andrés Sanchez, presidente do Corinthians e recém-filiado ao PT, tem planos nada modestos na política. Conhecendo seu plano de trabalho no futebol, não seriaDe-Olho-no-Brasil--729075 nada surpreendente ver o manda-chuva corintiano concorrendo a algum cargo público importante nos próximos anos.

Marco Aurélio Cunha, superintendente de futebol do São Paulo, trilhou caminho semelhante no ano passado. Filiado ao DEM, aproveitou seu estilo provocador para concorrer ao cargo de vereador pela cidade de São Paulo. Como já era esperado, foi eleito com 38 mil votos.

O exemplo mais incrível de todos, contudo, é Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires. Após assumir o clube Boca Juniors em 1995, multiplicou o patrimônio boquense, além de ter conquistado uma série de títulos nacionais e internacionais. Em resumo: fez com que o Boca se tornasse o clube mais temido da América do Sul. Com a popularidade nas alturas, se candidatou à prefeitura em 2007 e venceu. Macri agora mira mais alto: quer ser presidente da Argentina.

Como os leitores puderam perceber, o futebol e a política têm lá suas semelhanças. Enquanto sofrem com os mandos e desmandos dos cartolas e políticos, os torcedores e cidadãos anseiam por dias melhores para seus clubes e cidades. O problema é que quem realmente pode reverter as situações está mais preocupado com outras questões…